PS7
Será que a próxima geração de videogames vai ser um app na Smart TV? Imagine só apontar o joystick e ligar, tipo Netflix!

Já tem um tempo que se conversa sobre o futuro dos videogames, e sobretudo como este futuro vai acomodar algumas coisas que temos atualmente em termos de hardware. Hoje, por exemplo, um Castlevania: Symphony of the Night, que antes ocupava todo um PlayStation, roda em um smartphone numa boa, e se você quiser ir além da ousadia, saiba que esses dias atrás fizeram até um jogo de DOOM rodar num teste de gravidez. Enfim, essas e outras demonstrações de ex-parafernalhas que hoje rodam na palma da mão comprovam uma velha observação, que diz que quanto mais a tecnologia em torno de um dispositivo aumenta, menor ele fica.

Juntamente a isso, observe que a nova geração de consoles está chegando ao mercado com uma estratégia inegavelmente diferente, e que parece dar um recado: Grandes mudanças estão a caminho, e nós vamos começar a dar algumas doses disso desde já.

PS5 com suas versões Digital e Standard e Xbox Series S e X.

De fato, isso é algo que dá pra pensar ao ver que Sony e Microsoft vão lançar (cada uma) dois consoles de uma vez só, um tradicional e outro só para rodar jogos digitais. Nunca tivemos isso, quer dizer, até tivemos, (e foi até um brasileiro que fez isso), mas nada muito global.

Console de Vídeo Game Zeebo, com 1 controle, Não Testad
Veja quem está por trás dessa história de videogame sem mídia física aqui.

“Ah, é só mais uma opção”, dirão muitos. Ok, segue baixo as “tímidas” notícias da semana sobre esse mercado “opcional”:
• O serviço de jogos em nuvem da Microsoft, xCloud , foi lançado no início deste mês como parte de sua assinatura Game Pass Ultimate;
 • Amazon anuncia que pretende entrar no espaço de streaming de jogos e competir com o Stadia;
• Stadia está mais perto de estrear no Brasil.

Sim, jogos em nuvem vem para ficar, e não adianta dar Quit. Contudo, a pergunta é: Vem pra ser mais uma opção ou vem pra dominar? De bate pronto, a resposta é: Depende. Se você perguntar para Sony e Microsoft se elas desejam enxugar os custos de produção em torno desse processo de fazer um jogo, o que você acha que elas diriam? Se você estiver do lado de uma caixinha de jogo, pegue ela aí e leia essa lista abaixo:
– Artista que desenhou
– Designer que diagramou
– Tinta da impressora
– Plástico
– Montagem
– Energia elétrica
– Empacotamento
– Manutenção de tudo acima
– Transporte
– Acomodação na prateleira

Falamos só da caixinha do jogo e contamos 10 itens, e detalhe, nem falamos da mídia em si. Agora, pegue tudo que envolve montar um videogame em Kisarazu (cidade japonesa onde se montaram a maioria dos consoles PlayStation) e pense no rolê. É, pois é.

Diante disso tudo, não $eria um sonho minimizar todo esse processo em um toque de botão? Claro, mesmo que bem mais enxuto que isso tudo acima, a nuvem também tem seus custos e desafios, e disso que falaremos a seguir.

E o que falta?

A essa altura você já percebeu que o papo aqui não é sobre matar apenas a mídia física, mas também o console em si. Pois bem. Uma vez que esteja claro que, no que depender de custos, a tendência já estaria definida, vale se apegar ao que não se compra nem se dita de uma hora pra outra: a cultura. Por que o Mark Zuckerberg comprou o WhatsApp se ele tinha dinheiro pra fazer um app ainda melhor e gastando muito menos? Simples, ele não podia comprar o costume das pessoas, que já estavam familiarizadas com tudo ali. E ter isso para já custa caro.

A mesma coisa vai ser na hora de mudar o que estamos fazendo desde os anos 80, que é encaixar um aparelhinho na tv, colocar um joguinho nessa caixa de plástico e mandar ver na madruga. Junte a questão do costume com a questão financeira e a gente responde junto se vai rolar: “Vai, mas demora.”. Em suma, falta costume e falta dinheiro (dos jogadores) pra chegar lá. E então, a melhor maneira de chegar lá é de passinho em passinho. O tempo exato é difícil de precisar, mas já dá pra arriscar a dizer que o PlayStation 6 e a próxima caixa da Microsoft flertarão com isso fortemente.

E como poderia ser?

O ano é 2031, o tiozão chega em casa e vê os moleques pegarem um joystick no sofá, apontarem pra Smart TV (grossa como um tablet) e acionarem o App do PlayStation 6 com a mesma naturalidade que ligamos a Netflix hoje. Na casa do amigo, que ainda tem um pois é 4k na parede, os jovens ainda tem um PS6 digital.

Parece uma viagem? Pegue uma máquina do tempo, volte míseros 15 anos atrás e diga que estão apertando vidros como botões e vá direto pro hospício ver o Brasil se lascar na Copa de 2007. Pois é, não dá pra duvidar do que pode surgir.

O que tem pra hoje?

Conforme visto acima, contornado a questão de custo e cultura, o caminho está desenhado. Mas enquanto o futuro não chega, resta ir esquentando ele, e nisso as gigantes tem discursos que cantam a bola.

O que diz a Microsoft

O Yahoo Finance perguntou a Phil Spencer, chefe da Divisão Xbox, se esse investimento pesado em jogos em nuvem poderia fazer com que a próxima geração de console se tornasse a última, e o executivo respondeu que o Xbox está “absolutamente” planejando mais hardware de console.

“Queremos colocar o jogador no centro. Não se trata mais do dispositivo do meio ”, disse Spencer. “Você vê isso em todas as outras formas de mídia: minha TV está comigo onde quer que eu vá, minha música está comigo onde quer que eu vá.”

Phil Spencer sobre mais exclusivos no Xbox: 'temos que trabalhar nisso' |  Voxel
Phil Spencer, chefe da Divisão Xbox. Imagem: Reprodução Youtube.

“Estou no controle da experiência e acho que os jogos estão passando pela mesma transformação. É por isso que, como você diz, se você é um assinante do Game Pass, agora pode jogar seus grandes jogos em nosso console Xbox, em seu PC ou agora em seu telefone Android via streaming.”

Como você viu, os jogos já estão nesse caminho. O próximo passo natural é deixar a nuvem forte o suficiente para processar a jogatina de jogos AAA em massa.

O que diz a Sony

Ao contrário do que diz Spencer, Jim Ryan, CEO da Sony, faz a linha do “Quem sabe o que está para acontecer?”. Em uma entrevista dada no meio do ano passado, Ryan contextualizou um pouco sobre esse papo de transição. Naquela época, ele obviamente já sabia que haveriam dois PlayStations e não poderia falar sobre isso, mas deixou claro a mensagem de que embora não se saiba o que pode acontecer em 5 anos, as mudanças para o jeito de jogar videogame virão de maneira gradual. Confira um trecho:

“Quem sabe como é o mundo daqui a cinco anos? Quando você tem essas grandes empresas entrando em seu espaço, eu acho que simplesmente ver o mundo nos termos que você viu nos últimos 25 anos, com a concorrência que você teve nos últimos 25 anos, provavelmente não é uma abordagem muito sensata a tomar.

Jim Ryam, CEO da Sony. Imagem: Sony.

Qualquer transição será estável e gradual. Eu construí empresas PlayStation em todo o mundo. Posso falar sobre a infraestrutura em algumas partes do mundo onde temos empresas muito grandes, e elas não serão propícias para, você sabe, um modelo totalmente streaming por anos, anos e anos.

Jim afunila quando o assunto é vai ou não ter mais console. Confira:

De fato, eu realmente não sei. Eu estive por aí um tempo, e eu sentei lá em 2012 e ouvi todos os tipos de pessoas inteligentes me falarem sobre o celular e que o PS4 seria o mais terrível fracasso de todos os tempos.

A lógica foi certamente difícil de criticar. Mas acreditamos naquele produto, acreditamos neste produto da próxima geração agora. Quem sabe como isso pode evoluir? Modelos híbridos entre console e algum tipo de modelo de nuvem? Possivelmente isso. Eu simplesmente não sei. E se eu soubesse, não te contaria.

Resumo

Jogos

Inegavelmente, os jogos já estão sendo abraçados por uma tecnologia que promete disponibilizar mais de uma máquina para rodá-los. Diante disso, resta ver como o mercado vai se comportar diante das condições que cada país tem para jogar videogame. Qualidade da conexão, renda financeira e cultura são apenas algumas das variantes que esse novo modo de ter um jogo vai enfrentar se quiser se instalar permanentemente.

Consoles

Os consoles ainda estão um passo atrás em relação aos jogos no caminho da virtualização. Uma coisa é certa: Cedo ou tarde, a tecnologia encolhe tudo. Tem sido assim por décadas, e os videogames não estão fora disso. Ok, o tamanho do PS5 é descomunal? É, mas quando você olha para o concorrente, que é menor e tem boas vantagens de hardware em relação ao concorrente, percebe a tecnologia atual pode combinar arquitetura e design em tamanhos menores do que o que já foi visto até aqui. As imagens abaixo encerra a discussão por enquanto:

What is a Smart phone and do I need one? - You've Earned It

Por fim, vale ficar com uma verdade: já temos qualidade tecnológica para estar muito a frente disso, como aquele HD de vidro que já existe desde 2013 e que caberia todos os jogos de PlayStation já feitos. (leia aqui ou no final da matéria), mas uma coisa é ter a tecnologia, outra coisa é implantar ela.

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