A Maldição dos “Rebrandings”

Publicado em 18/10/2021 17:02
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Rebranding é a maneira de ressignificar a imagem percebida de uma empresa ou produto. O principal objetivo desta decisão é mudar a percepção do público com relação à marca/produto. Estas ações podem envolver trocas de nome, logotipo, identidade visual e outros elementos.

Não vou mais bater na mesma tecla a respeito do EFootball 2022, o nosso querido Observatório de Games já publicou um artigo bem interessante sobre o último desastre da Konami, plasmado sob a forma deste jogo e um outro artigo sobre o pedido de desculpas vindas da empresa. É ficar chutando cachorro morto.

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Meu objetivo aqui é falar um pouco sobre uma maldição que cai sobre certos produtos de entretenimento que ao sofrerem atualizações ou rebrandings/remakes, acabam se tornando verdadeiras bombas em termos de vendas e de críticas da comunidade geek em geral.

O objetivo deste meu novo artigo é discutir sobre o que acontece e porque muitas vezes as versões atualizadas, ou mesmo modificadas podem ser verdadeiros fracassos e que em muitos casos a estratégia pensada não “fala” com a geração atual e a antiga de fãs.

Como dizia Galileu da Galileia: Vamos cair de cabeça nisso!

Alguns Exemplos e Questões

Muitas empresas de jogos querem trazer de volta os clássicos de sucesso para sua grande legião de fãs e tentam modernizar os recursos frente a evolução dos processadores e placas gráficas. Isto contudo pode ser um terreno muito perigoso para as publishers.

Muitos jogos foram atualizados de suas versões clássicas para um contexto mais atual, contudo em diversos relançamentos, foram verdadeiros desastres. Um dos mais icônicos foi o remake do Duke Nukem , o Duke Nukem Forever, que levou anos para ser feito, mas capotou lindamente junto ao público.

Outro caso para citarmos é o Leisure Suit Larry: Reloaded, remake do clássico Suit Larry, que recebeu um misto de reviews negativos e alguns positivos, mas é considerado pelos fãs algo desnecessário. Enfim, nem sempre se acerta (vide Resident Evil 6…).

Mas qual é a causa destes “megaflops”? O que aconteceu de errado? As empresas perderam a mão ou entregaram a designers muito incompetentes? Todo mundo se pergunta, que diabos aconteceu? Quem foi o louco que aprovou este produto?

Muitos fãs se perguntam dos motivos de levar a frente projetos que tinham tudo para falhar e assim mesmo foram lançados. Isto na minha opinião tem um culpado: Hype.

O Fator Hype

Uma das coisas que acontecem não só com os videogames, mas principalmente no cinema, séries, quadrinhos é o hype gerado pelo anúncio de remakes de clássicos, ou adaptações para mídias diversas. Isso gera um alto grau de expectativa nos fãs que as vezes estão órfãos durante anos daquela franquia.

Recentemente nós tivemos o caso do He-Man da Netflix, do qual os fãs trucidaram a série, dizendo que deveria ser as Aventuras de Teela, não do antigo He-Man. A série é muito boa, animação primorosa, mas o trailer não foi honesto e isso levou muitos a detonarem a série.

Curtiu o novo He-Man?

A forma que a venda da série da Netflix foi apresentada, sobretudo como citei, o trailer, causou um hype nos saudosistas e dos antigos fãs. Mas quando os episódios foram passando, o sentimento de “ser enganado”, brotou nas redes sociais e aí o caldo entornou.

Novamente a palavra hype, volta a nossa boca. Os fãs foram levados a loucura com imagens que evocavam as suas memórias infantis e da adolescência, mas no final foram apresentados a uma outra experiência que gerou frustração, detonando suas expectativas.

Isso acontece muito na cultura Geek e o público não poupa críticas, já que mexe com vínculos muito fortes do qual o público cria com seus personagens de livros, jogos e séries/filmes. Existem contudo grandes acertos (The Witcher, The Boys) que satisfazem o público e solidificam estes laços.

Mas eu gostaria de colocar uma opinião minha a respeito disso tudo: os remakes/sequências/adaptações têm a tarefa impossível de tentar replicar tudo o que as pessoas amaram no filme/game/livro original, mas ainda assim “trilhar novos caminhos” e tornar as coisas maiores, melhores e mais frescas (apesar de não serem novas) do que antes.

Uma outra consideração de minha parte é que e o público hoje tem acesso irrestrito aos clássicos originais – então este público têm como comparar com as versões atualizadas. No caso dos jogos isso é bem comum, já que um público fiel de fãs é criado com anos de franquias de sucesso.

O remake/atualização pode ser um terreno muito, mas muito perigoso, pois é um verdadeiro pisar de ovos. Contudo vamos acrescentar o mais importante de todos os fatores que justificam estas novas versões:

DINHEIRO

Os produtores acham que um remake/sequência/adapatação podem produzir mais lucro, as vezes eles acertam lindamente (Mandalorian 1a. e 2a. temporadas, por exemplo), mas na maioria dos casos, é algo que nunca deveria ser produzido/tentado, aí temos estas “pérolas”.

E o PES/EFOOTBALL ?

A Konami fez um hype enorme deste que seria o substituto do PES. A empresa faz uma chamada com as seguintes frases.

PES, a icônica série de jogos de futebol, foi renomeada “eFootball™” neste ano.
Essa mudança indica uma nova era do futebol virtual, com jogabilidade e gráficos melhorados.
Prepare-se para curtir uma experiência futebolística inédita, que só o eFootball™ 2022 pode prover!

Se você der um pulinho na página da Steam do jogo, você verá que é considerado um dos piores jogos do marketpalce com milhares de análises negativas. Foi uma das maiores pisadas de bola da empresa, que como já falamos no início do artigo gerou um pedido de desculpas ao público.

A ideia de um jogo de múltiplas plataformas (PC, console e mobile) foi um dos fatores muito propagados com relação ao jogo, além de ele ser gratuito para jogar. Contudo a Konami esqueceu de combinar com os russos, a respeito do resto prometido. Os gráficos são horrendos, com glitches tenebrosos e uma jogabilidade pífia.

O Messi…Sem palavras

A Konami queria lançar um produto revolucionário de uma das suas franquias mais famosas, mas novamente caiu na armadilha da ganância e da incompetência técnica. Aliás, este último fator tem sido uma constante em grandes estúdios (eu ouvi Cyberpunk 2077?) em seus lançamentos.

Mas Tony, será que as empresas não aprenderam ainda com isso?

Não! E se você pensa que isso vai mudar? Esqueça! Os remakes, continuações, etc fazem parte do modelo de negócios, pois as empresas ligadas a área de entretenimento vivem disso. Os caras quando acham uma franquia de sucesso tentam explorá-la ao máximo.

Por isso, com certeza no futuro, iremos conviver com muitos outros casos de megaflops de jogos/filmes/séries e teremos com certeza toneladas de memes na Internet a respeito. Aqui fica minha dica final: deixa o jogo/filme/série sair para o mercado antes de consumir. Veja os reviews! Vai te poupar grana e muitas frustrações.

Até nosso próximo artigo!

Tony Garcia é Game Designer, Educador, Gamification Designer, Especialista em Manufatura Aditiva e em Tecnologias Educacionais.
Tem mais de 80 jogos desenvolvidos e trabalhou com mentoria em mais de 30 startups de jogos. Atuou em projetos de jogos educacionais e gamificação. Atualmente é diretor de projetos da Riogamer, Associação de Games e E-Sports do Rio de Janeiro.

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