This war of mine
Imagem: Steam

Falar sobre a morte nunca é um assunto fácil. Principalmente quando este tema aborda o suicídio. Em geral, vários setores da inústria como um todo sempre mostram de alguma forma esta questão, seja de maneira leve ou como um tapa na cara. Portanto, já começamos este artigo com:

Se você estiver tendo pensamentos de suicídio, automutilação, depressão profunda, algo que não consiga entender que está acontecendo com você, por favor, não hesite em aproveitar os recursos gratuitos e confidenciais disponíveis para você. Ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV) através do telefone 188 ou veja ainda como conversar com eles de outras formas. Clique aqui e veja como no site oficial. E caso conheça alguém que esteja passando por algum problema, não exite em ajudar e JAMAIS DIGA “se precisar, me passa um zap”. Quem precisa, não sabe como pedir ajuda.

Houve um tempo em que o universo dos games eram apenas sobre esportes ou o mais pesado de suas tramas, destruir hordas sem rosto de invasores alienígenas. Mas tudo evolui, e em certo ponto, os roteiros passaram a ser mais profundos e finalmente os títulos ganharam mais profundidade e impacto em suas histórias.

Desta forma, os desenvolvedores começaram a trazer jogos mais chocantes com enredos envolvendo traição, assassinato, terrorismo e principalmente: suicídio. A partir deste último, que trata sobre vários problemas emocionais, os games deixaram de ser “brincadeira de criança” e passaram a ser algo que a sociedade precisa discutir.

Lógico que os games não são baseados em “vamos ver gente morrer”, mas sim em trazer à tona uma discussão que até então toda a mídia busca de alguma forma amenizar ou até mesmo evitar falar sobre. Desta forma, jogos com uma narrativa cheia de aventura e principalmente emoção, com personagens cativantes, trouxeram dentro de seu enredo um foco maior nas razões destes heróis ou vilões cumprirem seus objetivos. Deixa-se de lado os “objetivos básicos” de coletar algo, para nos concentrarmos dentro de cada um deles.

Mas o mais importante de tudo é que um dos meios de comunicação mais marginalizados pela sociedade, ou seja, os jogos, foi o local mais adequado e promissor para contar histórias da experiência humana, seus medos, anseios e finalmente levar a fóruns esta triste realidade.

Portanto, os jogos deixam de ser apenas uma mera diversão, para se tornarem um meio de dar voz aos jogadores para criticarem nossas atitudes (ou a falta delas), em relação a vários problemas emocionais que envolvem amigos e familiares. Confira abaixo uma lista dos 10 jogos que abordam o tema do suicídio.

10. Gears Of War 2

A série Gears of War é uma das que mais destaca o suicídio. E não só o tema, mas também vários tipos de violência físicas e psicológicas. Em Gears of War 2, Locust High Priest Skorge interrompe a tentativa do Esquadrão Delta de perfurar o Hollow, envolvendo-se e, eventualmente, dominando o Cabo Tai Kaliso, que se torna seu prisioneiro.

Marcus Fenix ​​e sua equipe encontram e libertam Tai da prisão, mas embora saibam que ele foi torturado extensivamente por seus captores, eles se esquecem de notar o impacto que a tortura teve em sua mente, afinal de contas, um soldado é “homem (macho), e homem sabe lidar com tudo”. Marcus espera que seu companheiro de armas volte ao campo de batalha, mas Tai não está preparado para isso.

O game sofreu duras críticas, mas ninguém pode negar que o assunto envolvendo o retorno de soldados com traumas pós guerra, é muito forte. Principalmente, quando em sua maioria, eles fazem exatamente o que Tai fez: retirar sua própria vida.

9. Life Is Strange

Life Is Strange não é um jogo qualquer. Ele é um assunto muito atual a respeito dos jovens que sofrem bullying. A história é focada em Max, uma estudante do ensino médio e fotógrafa amadora que descobre que pode voltar no tempo. Ela tem como amiga mais próxima Kate, uma garota que não tem muitos amigos por causa de suas crenças.

Até aqui parece mais uma história clichê já contada infinitas vezes em livros, filmes e séries. Mas não. Daqui em diante, o game de 2015, traz a tona uma forma de terror aplicada a jovens que deveria ser considerada mais do que um crime. Kate é agredida e um vídeo dela se envolvendo em um comportamento aparentemente promíscuo é postado online, o que a faz ficar muito mais isolada de sua família e colegas de escola.

Caso não conheça este game, e o ache parecido com 13 Reasons Why (livro e Netflix), não é por acaso. Este tema de violência contra jovens e principalmente meninas em idade escolar, é mais comum do que imagina. Desta forma, Life is Strange da ao jogador uma maneira de fazer o que outras pessoas deveriam fazer na vida real: ajudar a proteger Kate do bullying, ser uma boa amiga, dentre outras coisas.

Mesmo assim, como neste mundo, salvar Kate só será possível se você investir tempo em sua amiga, para saber o que realmente acontece com ela e dizer as palavras certas para evitar que Kate cometa suicídio. Pela forma atual e como o game lida com os pensamentos e comportamentos suicidas, Life Is Strange faz você repensar suas interações e comportamentos do dia-a-dia com outras pessoas.

8. Undertale

Undertale, um RPG bem fofo, não é? Muitos acompanham gameplays dele, mas nem imaginam que por trás desta aventura, existem esqueletos – e muitos -, bem escondidos. No game, vários NPCs (personagens não jogáveis) já tentaram o suicídio no passado ou o farão ao longo da jornada, dependendo de suas escolhas.

E isto já fica bem claro na história da predecessora do protagonista, Chara, que cometeu suicídio. De qualquer forma, dá para evitar que os NPCs morram. É só não matar ninguém de quem o Dr. Alphys se preocupa. Simples e fácil!

E quem é Chara?

Chara é o primeiro humano a cair no subsolo. Este é o humano que o jogador nomeia no começo do jogo, e não o personagem principal que é controlado em toda a totalidade de UndertalePara saber mais, clique aqui.

7. Yume Nikki

Yume Nikki (“Diário de Sonhos” em japonês”) é um jogo de aventura surreal do desenvolvedor japonês Kikiyama. No enredo, os jogadores exploram os sonhos de Madotsuki, uma títpica garota hikikomori, ou “morcego de gaveta”, nome dado aos jovens de 13 a 30 anos que nunca saem de casa para interagir com a sociedade. No game, estão à sua espera uma série de locais e criaturas de terror surreais que imporão desafios e dilemas.

Este game indie tem o foco no psicológico e principalmente que, diferente dos jogos até agora mostrados, não podemos salvar ninguém de cometer suicídio. Como na maioria dos enredos japoneses, como mangás e animes, Yume Nikki é um verdadeiro choque a nossa cultura ocidental, que para tudo existe um final feliz e tudo se dá um jeito, o que faz com que sempre deixemos tudo para depois. Até que seja tarde demais.

7. This War of Mine

Em This War of Mine, você não irá jogar com um soldado de elite, mas sim com um grupo de civis tentando sobreviver em uma cidade sitiada, lutando contra a falta de alimentos, medicamentos e constante perigo de franco-atiradores e catadores hostis. O jogo oferece uma experiência de guerra vista de um ângulo inteiramente novo.

Aqui está uma das piores experiências que um jogador pode ter com uma história. Não pior no sentido de gameplay ruim, mas sim emocional. Este é um game que realmente traz o mundo real das guerras para dentro de sua casa e mente. Os jogadores estão acostumados a se aventurarem em títulos de sobrevivência e saírem para coletar armas, comida entre outras coisas básicas para darem um upgrade em seus personagens, enquanto os NPCs ficam ali apenas como meros detalhes de fundo.

Pois bem, aqui isto é o contrário. E um choque! Um exemplo: quando um dos sobreviventes precisava de alguém com quem conversar, e o jogador como sempre estava ansioso com a sua próxima saída para pegar qualquer coisa, em vez de prestar mais atenção e dar a ele um parceiro de conversa, acaba descobrindo após o retorno de sua coleta, que o colega de quarto estava tão deprimido que cometeu suicídio durante a noite. Mais algum comentário?

6. The Suffering

The Suffering (“O sofrimento”), é um jogo de Terror/Ação que foi produzido pela Midway. Nele, você controla Adryan, um detento condenado por supostamente ter matado seus filhos e que foi mandado para o presídio de Abbott, destino dos piores criminosos do país. O local fica nas Ilhas Carnate, que no passado serviu de palco cruéis e desumanos acontecimentos. Em Carnate, o personagem Torque terá que sobreviver à uma experiência sobrenatural e assustadora, ao mesmo tempo que tenta descobrir os mistérios relacionados ao assassinato de sua família.

Este jogo, como diz o título, é um verdadeiro sofrimento ao seu coração. Vale adiantar que vários personagens secundários irão morrer com certeza. Não existe um meio termo. The Suffering usa o suicídio como uma ferramenta narrativa para mostrar aos jogadores como as coisas estão ruins na prisão. Não que seja impossível perceber isso, mas dá para entender que os demônios utilizados na história são literais e vivem dentro de cada um de nós.

5. Dead Space

Dead Space é uma franquia criada por Glen Schofield, produzida pela Visceral Games e publicada pela Electronic Arts. O game é uma série de jogos de horror e sobrevivência, que também inclui dois filmes, HQs e livros.

Para muitos navegantes de primeira viagem, é mais um jogo no estilo “mate zumbis espaciais”, mas não se engane. Dead Space é sobre suicídio. E isso é revelado em uma das melhores reviravoltas na história, quando se descobre que a namorada de Isaac, Nicole, cujas mensagens ele tem assistido ao longo da aventura, estava morta o tempo todo, tendo cometido suicídio nos primeiros momentos da aquisição do necromorph. Já pensou passar por isso?

4. Neverending Nightmares

Neverending Nightmares é um jogo de terror psicológico inspirado na batalha real do desenvolvedor contra a doença mental. No jogo, você assume o papel de Thomas, que acorda de um terrível pesadelo apenas para descobrir que ainda está sonhando. À medida que desce mais fundo através das camadas de paisagens de sonho infernais, ele deve se esconder de aparições horríveis e fugir de seus demônios internos. Ele ainda deve descobrir quais dos horrores que encontra são uma manifestação de seu próprio estado psicológico e descobrir qual será a realidade quando ele finalmente acordar.

Este é sem dúvida um dos games mais realistas desta lista, mesmo que ele seja algo surreal. Transpor para uma história seus maiores problemas inspirados na luta do criador contra a depressão e o TOC, nunca é algo simples de se “adaptar”. Neverending Nightmares vai além de apenas terminar um jogo. Aqui você saberá como realmente uma pessoa com problemas emocionais e pensamentos suicidas, realmente se sente.

3. Silent Hill 2

Como lidar com a morte de alguém que você ama? Tudo te faz lembrar daquela pessoa. Cada objeto, viagem, seja o que for, foi vivido com aquela pessoa. Seus universos eram únicos. E agora que ela se foi? Imagine isso tudo e um pouco além.

Durante toda boa parte de sua vida, ela esteve ao lado de alguém. Desde os passeios em um simples parque, a viagens para lugares que sempre sonharam… E de repente, isso tudo é arrancado de uma única vez. Como será agora? Isto é o que faz de Silent Hill 2 um game perturbador. Não os “monstros” que aparecem, mas sim a morte.

Agora imagine que quando se começa a “aceitar” a morte desta pessoa querida, chega uma carta escrita por ela. Pois bem, é isto o que acontece com James Sunderland. Ele recebe uma carta com a caligrafia de sua esposta, chamando-o para seu antigo refúgio de férias, em Silent Hill.

Ao longo da história, James, que já perdeu o controle da realidade, luta contra sua própria identidade. Ele acreditava que Mary estava morta há três anos, mas na verdade se passaram apenas algumas horas desde que ele a matou. O assassinato parece ter desencadeado sua crise de identidade, e James, destruído pela culpa, retorna a Silent Hill para acabar com sua vida.

2. Indigo Prophecy

Fahrenheit (conhecido como Indigo Prophecy na América do Norte e Brasoç) foi um avanço na narrativa interativa. Originalmente lançado em 2005, Indigo Prophecy foi um avanço na narrativa interativa, oscilando entre os mundos do cinema e dos jogos, ao mesmo tempo que os abraçava, criando seu próprio gênero único no paisagem de entretenimento.

O game coloca os jogadores no controle de Lucas, um jovem que foge da polícia depois de matar um homem em um banheiro de lanchonete. Como na história de This War of Mine, os jogadores devem controlar a saúde mental de Lucas ao longo da história, e não permitir que ele afunde em uma depressão profunda. Deixado sem cuidados, a depressão de Lucas o levará ao suicídio, levando ao fim prematuro do jogo.

A automutilação de Lucas é gráfica, e sua atitude sobre tirar sua própria vida é bem real. Afinal, ele é um homem que acaba de descobrir que é capaz de matar outro ser humano. Este, como os outros jogos descritos nesta lista, mostram bem o quanto a culpa, seja ela qual for, pode te levar e pensamentos onde a única solução, é retirar sua própria vida.

1. The Static Speaks My Name

Um jogo de exploração em primeira pessoa escuro / triste / estranho / engraçado. Você interpreta um homem em sua última noite ainda vivo enquanto ele fica obcecado por uma pintura misteriosa. Mais parecido com um jogo de história porque enfatiza o humor e o personagem sobre a jogabilidade.

Como descrito no Steam: Esteja avisado, o jogo contém tratamento explícito do suicídio.

Este game indie leva o jogador a viver 10 minutos da vida do protagonista. É um game angustiante, pois você estará o levando até a sua morte. O game te faz ver através dos olhos de Jacob Emholtz, que o fim para tudo é cometer o suicídio, mas mesmo assim, ele ainda pensa nas outras pessoas, sem ser egoísta, pois irá deixar seus negócios em ordem antes de se matar.

Diferente de tudo o que é dito que uma pessoa é egoísta ao cometer suicídio pois só pensa nela mesma, aqui temos uma visão impressionante e que mostra, que em grande parte, um suicida deixou tudo arrumado para não atrapalhar a vida dos outros, ou seja, para que suas vidas não terminassem como a dela.

Além de abordar o suicídio, este game traz de forma chocante a automutilação. É realmente angustiante!

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