Todo mundo pode jogar
Todo mundo pode jogar. Montagem: Divulgação/Reprodução

“Videogame é coisa de menino”. É com esse mandamento que a cultura gamer se desenvolveu desde o princípio como um território quase sempre hostil para as mulheres. E desde que gays, lésbicas, bissexuais, trans e afins passaram a ocupar mais espaço na sociedade, essa imposição gamer logo tratou de se estender aos LGBTQ+.

Diante disso, a fim de tirar essas pessoas do modo hard na cena gamer, foi lançado o mini documentário LGBTQIA+: eSports de Todas as Cores. O projeto foi lançado no dia Internacional do Orgulho LGBT, celebrado em 28/06, e conta as histórias e lutas vividas por representantes GBTQIA+ no cenário gamer profissional.

Participações

Produzido pela Webedia Gaming, o projeto por meio de filmagens de diversas ocasiões da indústria dos esportes eletrônicos, conta com entrevistas e depoimentos de diversas pessoas que se viram ou se veem em meio à luta por uma participação mais igualitária e menos preconceituosa junto ao setor de jogos como um todo.

Participantes do projeto, da esquerda para direita: @henrytado, @guiatlantamatos, @p3polol, @cnaper, @samiraclose e @olgatransborda

@Henrytado
O Youtuber foi um dos primeiros streamers de LOL a assumir sua sexualidade. Atualmente, faz vídeos semanais de games, lifestyle e dublagem. Seu canal oficial possui mais de meio milhão de inscritos.

O Youtuber foi um dos primeiros streamers de LOL a assumir sua sexualidade. Atualmente, faz vídeos semanais de games, lifestyle e dublagem. Seu canal oficial possui mais de meio milhão de inscritos.

@guiatlantamatos
Atlanta iniciou carreira em 2017 e é uma das promessas de LOL. Já jogou em equipes como kino, Kabum! e-sports e Havan Liberty.

@P3po
P3p0 é narrador desde 2015. Durante quase dois anos narrou o Campeonato Brasileiro de League of Legends, maior torneio da América Latina.

@cnapeR
Camila Naper já jogou no Santos e-Sports, Tem One RED, semXorah e ProGaming.

@samiraclose
Samira Close é uma das maiores streamres do Brasil. Suas redes sociais somam mais de meio milhão de seguidores.

@Olgatransborda
Olga é uma das únicas representantes transexuais nos e-Sports. Como jogadora profissional de CS: Global Offensive já jogou no Dai Dai, SLK Gaming SiteCs, Remo Brave e BootKamp.

Para além dos jogos

Todos os entrevistados tem claro que a visibilidade conquistada traz o orgulho, mas também responsabilidade e sequência.
Pra mim a maior alegria é saber que todas as pancadas que eu recebi sendo o primeiro e único LGBT assumindo na comunidade gamer durante 4 anos certamente valeram a pena. Porque outros surgiram, e hoje, temos mais pessoas pra espalhar essa mensagem” diz Henry.

“Para mim, participar de um documentário tão importante é uma grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo, é algo libertador. Algo para se orgulhar, por estar sendo certamente exemplo pra outras pessoas na nossa área.” diz Guilherme, que sempre enxergou na sua visibilidade sobretudo uma chance de ajudar outras pessoas nessa situação.

“Inclusive esse sempre foi meu maior desejo, ter visibilidade pra ser um exemplo pra LGBTs que ainda tem medo de ser quem são, ou não dizem quem eles realmente são por medo ou por outros motivos.” completa o gamer, que sente estar no caminho certo para isso.

A youtuber Olga também entende que colocar o assunto em cima da mesa e falar sobre isso é certamente o melhor caminho nessa causa.

“Quanto mais falarmos sobre esse tema, mais temos chances de quebrar tabus e preconceitos. É muito bom ver que a diversidade certamente tem aumentado. Contudo, ainda não vejo uma redução de agressões e violência, mas também vejo um aumento no apoio e suporte.” diz Olga, que estende seu apoio não somente aos gamers nessa condição, mas também a todos que sofrem com esse tipo de preconceito: “saibam que vocês não estão sozinhxs.”
Confira o mini documentário abaixo:

O documentário LGBTQIA+: eSports de Todas as Cores contará nas redes sociais com as hashtags “#Acreditar”,  “#Pertencer” e “#Libertar”.

Games e homofobia

O ano de 2019 tem sido palco para muitos episódios de violência contra o movimento LGBTQ+. Embora conte com o apoio dos gigantes da indústria, a causa tem sofrido diversos ataques. Confira um resumo dos principais episódios sobre o tema:

Bolsonaro vs Gays

O polêmico jogo Bolsmito 2k18 entrou o ano proibido após uma decisão judicial entender que o game “promove desvalores como a discriminação racial, o preconceito e a violência.”.

Ilustração conceitual do jogo “Bolsomito 2k18”. Imagem: Divulgação.

No game, o então presidenciável Jair Bolsonaro percorre o Brasil espancando supostos opositores de sua ideologia. Ao serem abatidos, gays, feministas, negros, Sem-Terras e demais manifestantes viram fezes. Confira reportagem completa aqui.

Kratos Bissexual

David Jaffe, criador de God of War, usou uma ilustração de Kratos para apoiar o movimento LGBTQ+ durante junho, mês em que se comemora o orgulho do movimento. Contudo, boa parte dos fãs do personagem se incomodaram muito com a postagem, passando a atacá-lo.

Ktatos LGBT
Internautas não admitiram a montagem com o filho de Zeus. Imagem: Reprodução.

A repercussão foi tanta que David teve de voltar ao Twitter no dia seguinte para rebater as críticas. Veja a matéria completa aqui.

Sonic e a bandeira Gay

A sega passou igualmente pela mesma turbulência. A ilustração de Sonic ostentando uma bandeira com as cores do arco-íris, gerou revolta de muitos.

Franquia contra o preconceito.
Perfil da SEGA sofreu vários ataques por conta desse apoio. Imagem: Divulgação

Feita no mês de maio, a postagem tinha por objetivo apoiar o dia Internacional contra Homofobia, Bifobia, Intersexualidade e Transfobia. Veja reportagem aqui.

Microsoft

No começo de maio, a plataforma XBOX personalizou suas fotos de perfil em rede social com as cores que simbolizam o movimento LGBT, que tem em junho seu mês oficial de orgulho.

XBOX LGBT Observatório de Games
Não foram poucos os ataques. Montagem: Reprodução.

A postura, embora tenha obtido muito mais reações positivas, também registrou ofensas agudas. No Facebook o desconforto da empresa foi ainda maior, dado que os “Super Fãs” também se posicionaram contra a ação. confira a matéria completa aqui.