Casal desenvolvedor de games ucraniano segue em Kiev e relata rotina no corredor de casa

"É surpreendentemente calmo ao nosso redor."

Publicado em 11/03/2022 11:57
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No momento desta publicação, mais de 2 milhões de pessoas já deixaram a Ucrânia, que enfrenta sua terceira semana de ataques russos ao país, que lhe declarou guerra após divergências geopolíticas. E como acontece em toda guerra, nem todo mundo parte para o êxodo, é o caso do ucraniano Alex Molodkin (27), desenvolvedor de games que mora na capital Kiev.

Morando no corredor de casa

Em conversa com o portal The Hollywood Reporter, Alex contou como estão sendo estes dias de guerra, que ele passa ao lado da companheira Tay Kuznetsova, a mãe, a vó. De acordo com ele, todos passam a maior parte do tempo no corredor do apartamento onde vivem, pois o local, em tese, seria mais seguro, já as paredes dos outros cômodos, de frente para a rua, sofreriam o maior impacto e deixariam quem está atrás das paredes do corredor com menos chances de sofrer ferimentos.

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A própria entrevista é feita de lá, através do aplicativo Zoom via celular. O notebook de trabalho está guardado na bolsa e pronto para fuga, indo junto com os itens de primeira necessidade.

“Ainda temos comida e ainda podemos sair para algumas lojas para pegar alguns suprimentos adicionais de remédios e alimentos também. Ainda é gerenciável.” diz Alex, que afirma ouvir os comunicados do presidente Volodymyr Zelensky todos os dias. 

Primeiros dias de guerra para o gamer

De acordo com Alex, na primeira semana de guerra nada foi sentido por ele na capital, além da própria tensão de saber do início das manobras russas em direção à cidade. “Você só quer manter contato com todos no caso de algo acontecer”, diz ele.

A segunda semana foi curiosamente um pouco mais fácil para o desenvolvedor de games, pois o profissional sentiu que a situação pudesse ser mais contornável de alguma maneira para os moradores de Kiev. Alex passou a ler mangás para passar o tempo, mas confessou que já era difícil manter a concentração em alguma coisa por muito tempo.

Quando a guerra faz silêncio

Nesta rotina de guerra, um comentário de Alex chama a atenção: “É surpreendentemente calmo ao nosso redor”. A “calma” no caso, se refere ao silêncio gerado por uma cidade cada vez mais vazia e pela ausência de explosões.

No momento desta postagem, a Rússia não invadiu a capital ucraniana, mas ataques aéreos já acontecem desde os primeiros dias do conflito. E entre um ataque e outro, pelas ruas sobram o som o vento, canos estourados e animais vagando.

Turnos e relevância de alerta

Assim como é visto nos filmes de guerra, nem todo mundo dorme ao mesmo tempo. Revezamentos são necessários para que ninguém seja pego de surpresa em caso de um alarme mais intenso, seja vindo dos ares ou da televisão.

“Os alertas acontecem quase o tempo todo” revela Alex, que diz ainda que quem fica acordado tem a tarefa de analisar qual é o nível de perigo que demanda cada aviso, o que significa dizer que cada alerta pode ser uma coisa para continuar dormindo ou não.

Bomba explode em Kiev no quinto dia de guerra. (Imagem: Reprodução Youtube)

“Se reagíssemos a cada um deles, simplesmente não teríamos sono.” Portanto, trata-se de “analisar” cada alerta quanto ao risco potencial que ele pode trazer.

O jogo do ucraniano

Alex Molodkin é um desenvolvedor independente de games, e em 2016 fundou a Weasel Token, onde também trabalha a companheira, que é artista gráfica e animadora. A empresa é focada em desenvolver jogos para celular, e tem no game Puzzles for Clef o seu principal produto de destaque.

Curiosamente, Puzzles for Clef (Quebra-Cabeças para Clef), e um jogo que nasceu com o intuito de oferecer uma experiência de “exploração pacífica”, onde a personagem Clef viaja para a ilha de seus ancestrais para realizar uma caça ao tesouro. 

“É tudo muito pacífico e sem riscos, então só queríamos criar esse tipo de experiência para as pessoas acalmarem suas mentes e terem algum abrigo contra toda a violência externa”, diz ele.

Pausado

O game de Clef ainda está em desenvolvimento, a previsão de lançamento era para o ano que vem, mas por conta da guerra, as atividades estão paralisadas. “Ninguém prepara você para a guerra no século 21. É apenas muito opressivo.” diz.

Alex tem tentado se manter otimista, mas admite que isso não é o suficiente para abrir o computador e fazer jogos de videogame: “Sabemos que podemos alcançar a vitória e essa é uma opinião muito difundida por aqui, mas ainda não é exatamente uma atmosfera que produz eficiência de trabalho.” confessa.

Obrigado pela história, The Hollywood Reporter.

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