Lady Gaga, Akira, Mario e Space Invaders: Os planos frustrados para a abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio

Lady Gaga saindo do tubo verde, a moto de Kaneda circulando pelo estádio, referências a Space Invaders... Puxa vida.

Publicado em 29/7/2021
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Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 já estão se encaminhando para sua metade, mas questões em torno de sua abertura ainda estão rendendo discussões. Cercada de expectativas, a cerimônia teve algumas boas surpresas, mas frustrou alguns telespectadores, que gostariam de ter visto algumas coisas mais criativas nesta oportunidade, sobretudo depois do que fez o então Primeiro Ministro, Shinzo Abe, na festa de encerramento dos jogos Rio 2016.

Entretanto, o que está sendo relatado pelo jornal japonês Shukan Bunshun pode deixar tudo ainda mais lamentável. De acordo com documentos obtidos pela imprensa local, haviam planos muito mais ousados, criativos e populares previstos para a cerimônia em questão, e isso envolve elementos como Lady Gaga, Mario Bros e até Space Invaders, um ícone na história dos games, feito por um único japonês, chamado Tomohiro Nishikado.

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Mario na natação? Imagem do documento revela que o personagem estava realmente nos planos.

Esse viés gamer da abertura teria um foco especial na era de 8 bits dos games, o que incluiria ações envolvendo Super Mario e Space Invaders, tudo sendo comandado pelo mais icônico nome da Nintendo, Shigeru Miyamoto. Mas conforme visto, nada disso ocorreu.

Lady Gaga daria sequência na brincadeira da Rio 2016

Para Lady Gaga, a ideia era brincar continuando a ação feita por Shinzo Abe no encerramento dos jogos da Rio 2016. Na ocasião, os responsáveis criativos colocaram o homem do cargo político mais importante do país para fazer nada menos que um cosplay de Mario Bros.

A ideia seria fazer um crossover entre a cantora, a comediante e Mario.

Na performance exibida, Abe teria que vir ao Brasil para prestigiar o encerramento dos jogos no Rio. E ao ver que chegaria atrasado (algo impensável para a etiqueta japonesa), o Primeiro Ministro gera um desfecho inusitado para chegar a tempo no compromisso, numa performance que foi vista como muito simpática e positiva. Relembre abaixo:

Com Gaga, a ideia era fazer uma reviravolta nisso. Nos documentos obtidos, um gráfico mostra a cantora entrando no famoso tubo verde, e ressurgindo num outro ponto como a comediante Naomi Watanabe, usando uma peruca loira e boné vermelho, numa espécie de crossover entre a cantora e o encanador.

A cantora Lady Gaga (esq.) e a comediante japonesa Naomi Watanabe.

Músicas não executadas

Os apaixonados por videogame notaram uma lista de músicas deste universo que foram usadas na abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Contudo, tinha mais coisa pra ser exibida. Ainda de acordo com os vazamentos, cinco canções de jogos clássicos da Nintendo estavam nos planos, mas nenhuma delas ganhou um ‘play’ no evento. 

O tema principal de The Legend of Zelda, a abertura de Pokémon e algumas faixas de Super Mario Bros eram alguns desses sons clássicos que deveriam ter sido tocados durante a tradicional entrada dos atletas no estádio. Esta também seria uma parte supervisionada por Shigueru Miyamoto, mas ao final nem o japonês nem as músicas em questão passaram pelo estádio.

Arika e as estações de trem

Cena clássica de Akira em destaque ao lado de uma réplica real da famosa moto do personagem Kaneda.

Uma das coisas mais lamentáveis que os fãs da cultura pop certamente vão lamentar saber é que havia a intenção de contar com a icônica moto do filme Akira (1988), obra inspirada no mangá lançado seis anos antes. Acompanhando a máquina vermelha que percorre o mundo pós-apocalítico criado por Katsuhiro Otomo, constariam ainda riffs de “Neo Tokyo” e dançarinos uniformizados para representar as inúmeras estações de trem que possui o país.

Ilustração dos documentos mostra como isto poderia ter acontecido.

O que aconteceu?

Mais uma vez, a pandemia seria a principal culpada por tudo que deu de errado até então, e assim como ocorreu em outros eventos presenciais pelo mundo, a doença causada pela COVID-19 acrescentou imprevistos que geraram os mais variados tipos de prejuízo.

E de acordo com as investigações, parte destes replanejamentos pode ter sido determinante para deixar a Nintendo descontente com o plano B sugerido, ficando então de fora da festa como se planejava inicialmente.

Polêmicas também atrapalharam

Música com fundo de bullying e preconceito

O problema com as músicas acima não foi nada perto do que se descobriu sobre Keigo Oyamada (52), principal compositor encarregado de criar trechos musicais para a cerimônia de abertura dos jogos olímpicos e paraolímpicos no Japão.

Isto porque foram recuperadas entrevistas que o músico deu para revistas japonesas em 1994 e 1995, onde ele confessa ter praticado bullying contra colegas de classe com deficiência, “sem qualquer arrependimento”. De acordo com levantamentos feitos pelo jornal The Guardian, o japonês teria chegado a forçar um menino a comer suas próprias fezes e se masturbar na frente de outros alunos.

O músico Keigo Oyamada disse que “sente muito”. Foto: Atsushi Tomura

A notícia explodiu nas redes sociais e o músico foi bombardeado por internautas do mundo inteiro. Keigo emitiu um pedido de desculpas alegando imaturidade na época, e renunciou ao cargo no dia 20 de julho, 3 dias antes dos jogos começarem.

Não se sabe ao certo se algo do trabalho do músico também foi retirado da cerimônia, já que o próprio comitê reconhece que sua colaboração musical para o evento foi “enorme”.

Voz suprimida

Os problemas com a pandemia atrapalharam, mas os desastres de relações públicas certamente também causaram um estrago considerável. O Comitê Olímpico Internacional (COI), teria gostado e aprovado planos e performances propostos pela coreógrafa Mikiko Mizuno e sua equipe, que até o início do último trimestre de 2020, acreditavam que tudo poderia seguir conforme o planejado. Contudo, intervenções polêmicas aconteceram.

Mikiko Mizuno durante evento em 2020. (Imagem: Reprodução Youtube)

Primeiro, Mizuno foi posta de lado com a contratação de um novo diretor criativo, Hiroshi Sasaki, que entrou em dezembro de 2020, sob a alegação de que iria agilizar soluções para enfrentar os problemas logísticos/técnicos causados pela pandemia.

Com a credencial no peito, Sasaki cortou muitas coisas propostas por Mizuno, que ao se sentir sem voz ativa nas decisões, abandonou o cargo junto com vários outros membros envolvidos na missão. Hiroshi Sasaki ficou então ainda mais livre para orquestrar seus planos, mas uma sua em março de 2021 o derrubou do cargo.

“Olympig”

Na ocasião, Sasaki achou aplicável sugerir que a comediante Naomi Watanabe devesse surgir fantasiada como uma porca, sob o nome de Olympig. O comentário repercutiu mais do que negativamente, e a cerimônia perdeu mais um nome faltando pouquíssimo tempo para tudo começar.

O então diretor criativo Hiroshi Sasaki e a comediante Naomi Watanabe

Mulheres “falantes demais”

O comentário se juntou ao fervor da última polêmica envolvendo outro japonês e suas falas preconceituosas contra mulheres. Um mês antes, Yoshi Mori (83), havia dito que mulheres teriam “dificuldades” em ser concisas e “têm o espírito de competição”. “Se uma levanta a mão [para falar], as outras acham que também devem se expressar. É por isso que todas acabam falando” teorizou o japonês, que ainda continuou:

Se você aumenta o número de membros executivos do sexo feminino, e se seu tempo de palavra não estiver limitado em certa medida, terão dificuldade para terminar, o que é irritante”, afirmou Mori, ao reclamar que “os conselhos de administração com muitas mulheres levam muito tempo“.

A fala causou repercutiu mundialmente e Mori acabou renunciando ao cargo alguns dias depois. No seu lugar entrou Seiko Hashimoto, uma ex-atleta olímpica e ministra de gabinete de 56 anos.

Yoshiro Mori (esq.) e Seiko Hashimoto (dir). (Imagens: Reprodução)

24 horas antes, mais demissões

Faltando ofegantes 24 horas para começar tudo, mais um escândalo culminou na eliminação de ninguém menos que diretor do espetáculo da cerimônia de abertura, Kentaro Kobayashi. Mais uma vez, o desligamento decorre do resgate de ações feitas no passado.

No caso de Kentaro, ex-comediante, foi recuperado um vídeo da década de 90, onde ele faz piadas referentes ao holocausto. No vídeo, Kobayashi se vira para seu colega, referindo-se a algumas bonecas de papel, dizendo que são “aquelas daquela época que você disse ‘vamos brincar de Holocausto’”, [via AFP].

Os fatos chegaram até o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, que rotulou a declaração como “ultrajante e inaceitável”. Seiko Hashimoto também se posicionou e definiu o comportamento do vídeo como algo que ridicularizou fatos dolorosos da história.

Segue o jogo

Mesmo diante da enxurrada de problemas técnicos, estruturais, administrativos e sociais, as olimpíadas estão ocorrendo no momento dentro do calendário previsto, mesmo sob forte desaprovação da maioria dos japoneses, onde 55% dos entrevistados não queriam que os Jogos fossem realizados.

A cerimônia de encerramento está prevista para o dia 8 de agosto, e como de costume, não se revela nada sobre o evento. No caso das atrações dispensadas, também não há qualquer menção de que algo possa ser aproveitado na festa final dos jogos.

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