Opinião Profissional: Kojima é superestimado?

A gente precisa falar sobre Hideo Kojima e a fama que o contorna

Publicado em 18/7/2021
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Por Tony Garcia

Start da treta

Muita gente vai achar este artigo injusto, ou mesmo fruto de um ranço contra o game designer japonês Hideo Kojima. Mas trata-se de um artigo de crítica focado em alguns pontos interessantes que às vezes passam em branco e não são suscitados pelo grande público. Kojima é muito conhecido pelo Metal Gear no ocidente, desde o seu lançamento em 1987 para os computadores MSX e eventualmente os “ports”para outras plataformas. O sucesso viria em 1998 com o Metal Gear Solid no Playstation e o nome do Kojima seria incensado. 

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Este artigo é uma grande provocação e uma pausa para a reflexão de vocês todos. Pensando friamente e sem coração: Kojima é isso tudo realmente?

Solid Snake?

Vamos começar colocando uma imagem para gerar a primeira discussão:

A primeira imagem é do aclamado Solid Snake, personagem criado em 1987 da série Metal Gear e a segunda Snake Plissken, de 1981 do filme Fuga de Nova York de John Carpenter, interpretado por Kurt Russell. Notaram a semelhança? Pois é, Solid Snake não foi algo inédito e sim uma adaptação de Snake Plissken?  Aliás, Snake Plissken  como Solid, é um soldado, só que mais experiente.

Vale lembrar que Kojima, numa conferência da PAX, em 2016, disse que o Solid Snake não tinha sido baseado no Snake Plissken, isso sempre foi motivo de confusão. Será que não é uma questão de ego ferido do game designer?

Kojima foi Aclamado por Conta do Playstation?

A maioria dos jogos de sucesso de Kojima tinham sido lançados para MSX e no mercado Japonês. Até 1998 ele não tinha uma no relevância no americano, tendo somente lançado  Snatcher em 1994, que fez sucesso, mas não foi aquela coisa toda.

Como Kojima lançava jogos para MSX e com foco no Japão fica a pergunta: será que se ele tivesse mantido somente nas plataformas e no mercado daquele país, ele teria tendo toda esta fama? Não contradigo que as mecânicas de stealth do Metal Gear abriram escola para diversos outros títulos (Rainbow Six por exemplo), são revolucionárias.

O conceito é totalmente inovador para a sua época. Mas novamente fica a questão: se o Metal Gear não fosse lançado tão cedo no ocidente, será que Kojima teria toda esta fama?

Saída da Konami

A Kojima Productions começou a atuar internamente na Konami a partir de 2005, como uma espécie de divisão interna da própria empresa, tanto é que toda série Metal Gear e outros jogos produzidos por Kojima até 2015, são propriedades da Konami.  E em 2015, ele vai embora dali.

A saída de Kojima foi bem conturbada, inclusive com o fechamento da divisão Kojima Productions em julho de 2015. A imprensa especializada comentou que a sua saída fez parte da reestruturação da Konami, mas a pergunta que fica é: será que não havia algo mais?

O Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, foi um sucesso, mas o processo de desenvolvimento foi conturbado com brigas constantes entre Kojima e a Konami. Rolaram até disputas judiciais pela propriedade do Metal Gear, mas Kojima perdeu, saindo definitivamente da empresa. Aqui fica um ponto interessante, pois Kojima perde definitivamente seu maior sucesso no ocidente. A Kojima Productions contudo renasceu em dezembro de 2015 com uma parceria comercial com a Sony, com a ideia de um novo e revolucionário projeto. 

Aí chegamos ao Death Stranding

Novo jogo do Kojima, revolucionário, com um voice acting impressionante, artistas de peso atuando no jogo, história intrigante.

Death Stranding começa a ser desenvolvido e 2017 pela Kojima Productions e já começa com o peso atribuído ao Game Designer Japonês. Teasers do jogo mostram algo bizarro e misterioso ao mesmo tempo, com um visual muito belo. O jogo sai para o Playstation em 2019 e para Windows em 2020. Aí começam as polêmicas. O jogo ganha muitos prêmios principalmente em som, trilha sonora e algumas características técnicas.

Mas Deat Stranding é um jogo CHATO.

O jogo se torna tedioso, repetitivo e parece um grande simulador de caminhada por um mundo aberto. A história é muito interessante, de acordo com Kojima um dos aspectos chaves do jogo é a ligação que existe entre a vida e a morte, mas parece um filme interativo não um jogo. O ritmo é lento, tedioso e talvez sofra de síndrome da  visão “revolucionária” de seu criador, tornando-o um jogo para um grupo de jogadores fãs de Kojima, mas que não desperta um interesse de continuar jogando.

Há uma polêmica com o site Metacritic que em na época do lançamento em 2019 onde o jogo recebeu o chamado  “review bombing” (uma crítica bem pesada) e havia cerca de 6000 comentários negativos do jogo. Esta onda de usuários detonando Death Stranding, fizeram que o Metacritic removesse estes comentários alegando manipulação de pontuação. 

Curioso…

A verdade é que Death Stranding alcançou muito sucesso no Japão, mas não fez este barulho todo como o Metal Gear aqui no ocidente. Talvez o Kojima quisesse fazer um jogo “cabeça” demais e errou feio na mão. O jogo até hoje é criticado e ao mesmo tempo aclamado por ser do Kojima. Death Stranding é curioso, só isso. 

Kojima fala de uma versão Director´s Cut para 2021 do jogo, mas só se for de graça para tentar jogá-lo novamente.

Provocação Final

A pergunta que fazemos: será que Kojima só ficou aclamado por conta do Playstation? Nós sabemos que o mercado americano é o principal do mundo e que dita todas as tendências do universo dos videogames. O mercado japonês é muito representativo, mas a força da indústria de videogames está nos EUA. Se Kojima não tivesse lançado nada no mercado dos EUA, ele só seria conhecido no mercado japonês e talvez como uma curiosidade por alguns jogadores. 

O trabalho na inovação da jogabilidade e nas mecânicas de jogo do Metal Gear são, sem sombra de dúvida, primorosos. Não há como negar isso. Contudo, Kojima só é lembrado por Metal Gear, nem por seu “spin off” de Castlevania em 2010. 

Designer de um jogo só? Fica aqui a questão para este debate.

Tony Garcia é Game Designer, Educador, Gamification Designer, Especialista em Manufatura Aditiva e em Tecnologias Educacionais.
Tem mais de 80 jogos desenvolvidos e trabalhou com mentoria em mais de 30 startups de jogos. Atuou em projetos de jogos educacionais e gamificação.

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