10 fatos angustiantes na pena de morte do assassino do fliperama japonês

O tema ainda é polêmico no país, mas a maioria é a favor

Publicado em 22/12/2021 21:09
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Infelizmente, mais uma vez os temas ‘games’ e ‘morte’ se cruzaram de maneira trágica. Agora, um crime ocorrido dentro de um fliperama no Japão em 2004 teve seu julgamento concluído com o castigo máximo no arquipélago: a pena de morte. E isto é só o começo das angústias, seja para o condenado ou para quem busca se informar como isso funciona por lá. Confira abaixo os fatos que deixam a decisão ainda mais polêmica para muitos:

1 – A pena é a forca

O método de execução usado desde a idade média também é praticado num dos países mais tecnológicos do mundo desde 1873. O enforcamento penal japonês segue basicamente a mesma técnica vista nos livros de história, quadros, filmes e seriados.

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Uma corda é envolvida no pescoço do condenado, que na sequência ficará suspenso pelo instrumento após ter o apoio sob seus pés retirado abruptamente.

2 – Quanto tempo demora até o dia?

Embora a justiça local determine que a execução deva ocorrer em até 6 meses, isso historicamente não acontece por lá. Podem passar-se anos e até mesmo décadas até que o dia final chegue para o condenado.

Policial circula pelo corredor da morte. (Imagem: Tokyo Five)

3 – Como o condenado espera?

Há um sistema rígido de isolamento até o dia da morte. O condenado segue preso em uma solitária e nunca mais terá acesso à TV, rádio, internet ou jornais impressos e apenas um restrito material impresso de entretenimento não detalhado pode chegar até ele. Visitas de advogados ou familiares são raras e muito burocráticas de se conseguir. Eles podem se exercitar duas vezes por semana.

Com milhares de ideogramas em seu sistema de grafia alfabética, há uma chance real do condenado japonês chegar a se esquecer de alguns dos chamados ‘kanjis’. (Imagem: Reprodução).

4 – O Aviso

Qualquer dia pode ser o dia da morte, mas há um sinal: isto é sempre no período da manhã. O condenado fica sabendo exatamente uma hora antes de tudo acontecer. Os homens precisam limpar suas celas, tem direito a fazer uma oração e deixar um bilhete de despedida para os familiares, que só serão avisados depois de sua morte.

Um típico café da manhã japonês. (Imagem: Reprodução)

5 – Últimos direitos

Além do bilhete para os parentes e oração, ainda é possível ter direito a uma última refeição e se encontrar com uma autoridade religiosa numa sala localizada ao lado do espaço de execução instantes antes do fim.

Dois acentos, uma mesa de centro e um altar budista compõe a mobília da sala onde acontece o último encontro com uma autoridade religiosa.

6 – Ninguém sabe onde e quando isso acontece

Diferentemente do que se via na idade média, não há a espetacularização do ato. Se antes praças se enchiam para ver os condenados se contorcerem até a morte, as salas de execução tem localização secreta e pouquíssimas pessoas sabem onde elas ficam.

Tudo que se sabe é que existem 7 salas espalhadas pelo país nas cidades de Tóquio, Sapporo, Sendai, Nagoya, Osaka, Hiroshima e Fukuoka. O Ministério da Justiça é quem crava o dia e a hora da morte, mas não avisa isto publicamente afim de evitar protestos de ativistas e demais movimentações em torno do ato.

O Atual Primeiro Ministro japonês, Fumio Kishida. (Imagem: https://www.aa.com.tr)

Em 2010, um grupo de jornalistas conseguiu acesso à sala de Tóquio, numa inédita permissão concedida pelo primeiro ministro da época, Keiko Chiba. Publicamente contra a pena de morte no país, ele convidou os profissionais de imprensa para conhecerem o local e levantar debate sobre o tema, mas não conseguiu evitar uma condição:

Todos tiveram que ser vendados e irem até o local num ônibus com janelas vedadas por cortinas, num trajeto que provavelmente demorou mais tempo do que o previsto para despistar de vez qualquer suposição de local de onde estavam. Sabe-se, entretanto, que uma dessas celas fica na Casa de Detenção de Tóquio.

Casa de Detenção de Tóquio. (Imagem: Reprodução)

7 – Prática medieval, equipamentos modernos

Diferentemente do que se fazia nos julgamentos medievais, agora ninguém empurra o condenado de uma plataforma ou chuta-lhe o banco sob seus pés. No Japão, o preso é conduzido de olhos vendados e algemado para uma sala com decoração de madeira, e é posicionado sob uma espécie de alçapão.

Para o preso, não há um alarme ou qualquer sinal que indique ao preso que o alçapão se abrirá, tudo que ele ouvirá é o som do dispositivo mecânico se abrindo sob seus pés, o direcionando para uma queda direto para a sala de baixo, onde médicos verificarão a morte clínica assim que o corpo apresentar sinais finais de óbito.

Foto da sala de execução em Tóquio. Os anéis no chão e na parede são usados para passar a corda e assim evitar que o preso tente sair da área do alçapão (em vermelho). (Imagem: Daily Mail)

8 – ‘Loteria’ de carrascos

O alçapão conta com um sistema de abertura eletrônica comandado por três botões que ficam na sala ao lado. E em cada um destes botões está um guarda com o dedo em cima. Todos precisam apertar ao mesmo tempo para que a plataforma abra.

Contudo, somente um destes botões dá o comando real da tarefa, e nenhum dos guardas sabe qual é. Assim, o peso pela execução, em tese, não fica diretamente para nenhum dos guardas.

Detalhe dos botões e do alçapão aberto na sala de execuções em Tóquio. (Imagem: Daily Mail)

9 – Tortura que enlouquece

A soma de todas essas informações absorvidas por parte do condenado quase sempre termina com o preso desenvolvendo um grau agudo de distúrbio mental. Existem pelos sites que cobrem o assunto alguns relatos de pessoas que enlouqueceram no corredor da morte.

Há nas entrelinhas deste processo de espera duras críticas quanto aos níveis de crueldade a que são impostos os presos. O fato das execuções serem sempre de dia, por exemplo, podem gerar quadros de ansiedade deixando praticamente todas as noites intermináveis. Os parentes, de certo modo, também experimentam da mesma angústia e tortura.

10 – Histórico arrepiante

Assim como boa parte dos países, o procedimento de julgamento no Japão já teve dias mais brutais e aterrorizantes. Durante o período Kamakura (que foi de 1192 a 1333), por exemplo, penas cruéis como queima, fervura e crucificação foram usadas. Isso piorou no período seguinte, quando crucificação invertida, empalamento, serragem ao meio e desmembramento através de amarras colocadas em bois e carroças foram penas aplicadas rotineiramente .

Pintura japonesa ilustra crucificação. (Imagem: Reprodução)

O inocente que quase morreu

Quando o assunto é pena de morte, alguns casos chamam a atenção no país. É o caso de Masao Akahori, que viveu 31 anos no corredor da morte e sabe bem tudo que, aos poucos, pode levar à loucura durante esse período. De acordo com um de seus relatos, os presos costumam saber até a quantidade de passos dos guardas, de tão controlado que é tudo.

E sempre que na manhã em que esses passos saem do previsível, é sinal de que alguém será executado. Certa vez, ele disse que a movimentação de passos foi parar com guardas de frente para a sua cela. Eles abriram a porta e já iam levá-lo para a execução, quando se deram conta de que ele era o preso errado, numa provável tortura psicológica, dado que um sistema com tanto controle dificilmente iria levar a um erro deste tipo.

Masao Hoje tem 91 anos. (Imagem: The Japan Times)

Após uma vida inteira preso e aguardando a morte diariamente, Masao foi declarado inocente e libertado em 1989, aos 59 anos, recebendo do governo uma indenização de quase de 1 milhão de dólares na época. “Sinceramente, guardo profundo rancor e ódio”, disse Masao, que recebeu o equivalente a 75 dólares por cada um dos 12.668 dias que ficou preso.

O Culpado que morreu, mas comoveu o Japão

Em 1968, quatro assassinatos na região de Tóquio dariam início a um caso que repercutiria internacionalmente. Norio Nagayama, na época com 19 anos, roubou uma arma da base naval dos EUA em Yokosuka e promoveu uma onda de assaltos em quatro cidades que terminaram com quatro mortos.

O jovem foi capturado um ano depois, considerado menor de idade pelas leis da época, Norio passou 10 anos preso até receber a sentença de morte em 1979, e passou a aguardar a pena desde então. Em 1981, um recurso da defesa conseguiu converter a pena para prisão perpétua.

Entretanto, o Supremo Tribunal do Japão reverteu a decisão do tribunal superior dois anos depois, voltando o preso para o corredor da morte. A alta corte em prisão preventiva posteriormente o sentenciou à morte em 1987, uma decisão que a Suprema Corte manteve em 1990.

E em 1997, aos 48 anos, Norio foi finalmente enforcado por decisão do Ministro da justiça Isao Matsuura.

Entretanto, o que deixou o caso de Norio internacionalmente conhecido não foram só as questões humanitárias e legislativas que envolvem seu caso. Apesar da infância pobre e sofrida, Nagayama era muito bom com as palavras.

Enquanto esteve preso, ele escreveu diversos romances que ganharam notoriedade a ponto dele receber prêmios por seus livros, algo que deixava os japoneses desconcertados e sem saber o que achar disso. Em algumas passagens de suas obras, ele atribuiu a culpa pelo seu comportamento à sua infância pobre e violenta.

Mesmo negado na academia de literatura de seu país, seu romance chamado “Kibashi” (Ponte de madeira) ganhou um prêmio de literatura em 1983. Outra obra sua de muito sucesso é sua autobiografia “Muchi no namida” (Lágrimas da Ignorância) de 1971.

Norio Nagayama é preso na delegacia de polícia de Yoyogi em 7 de abril de 1969 em Tóquio, Japão. (Foto de The Asahi Shimbun via Getty Images)

Nela, Nagayama relatou estar arrependido pelos crimes cometidos e criticava a pena capital como forma de condenação. Norio decidiu doar todos os direitos de Muchi no Namida às famílias das vítimas, e ao morrer, seu testamento ordenou que os lucros de sua obra fossem destinados à crianças pobres, para que essas não tivessem o mesmo destino que ele.

Confira o caso do fliperama aqui.

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