Policiais estão usando o logotipo do Justiceiro, e a MARVEL está farta disso

Publicado em 8/6/2020
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Já tem um tempo considerável que a MARVEL Entertainment está enfrentando um problema certamente muito desconfortável. Policiais americanos estão se apropriando do logotipo do personagem Justiceiro, o vigilante que age por conta própria no universo MARVEL.

Justiceiro tem uma abordagem injusta nos games, e desde 2005 não ganha um jogo.

Agora, uma vez mais, a marca da caveira que estampa o uniforme de Frank Castle está sendo usada por policiais estadunidenses que estão usando de violência para conter manifestantes no país. E a manifestação da vez deixa tudo isso ainda mais tenso para a MARVEL. Isso porque as manifestações que estão por todo o país são decorrentes da morte de George Floyd, cidadão negro que morreu asfixiado por um policial branco durante uma abordagem feita em Minneapolis.

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Policiais de Detroit-EUA contendo manifestantes de maneira truculenta.

O próprio Gerry Conway, criador do personagem imortalizado no traço de John Romita e Ross Andru, já compartilhou anteriormente essas imagens em suas redes sociais, que contém um misto de preocupação e indignação.  Gerry também usou seu feed para compartilhar novamente os links de seus comentários anteriores sobre isso.

Por que o Justiceiro não deveria ter nada a ver com a Polícia

Para os que ainda não entenderam qual é o ponto grave dessa apropriação indevida, o criador do personagem explica: “O anti-herói vigilante é fundamentalmente uma crítica ao sistema judiciário, um exemplo de fracasso social; portanto, quando os policiais colocam crânios de Justiceiro em seus carros ou membros das forças armadas usam remendos de crânio de Justiceiro, eles são basicamente os lados de um inimigo do inimigo.

Eles estão adotando uma mentalidade de fora da lei. Se você acha que o Justiceiro é justificado ou não, se admira o código de ética dele, ele é um fora da lei. Ele é um criminoso. A polícia não deve estar adotando um criminoso como seu símbolo.

O que a MARVEL diz

Embora não seja a primeira vez que a MARVEL tenha problemas com o personagem, essa rodada está mais do que tensa, já que os atos em torno da morte de George Floyd estão se espalhando por várias cidades do mundo, inclusive no Brasil.

E é por medo de respingar algo na própria empresa que a MARVEL já tratou, mais de uma vez, de reforçar seu posicionamento diante desse uso indevido.

“Nós somos contra o racismo. Nós defendemos a inclusão. Estamos com nossos colegas funcionários, contadores de histórias, criadores e toda a comunidade negra. Nós devemos nos unir e falar.”  diz a mensagem, que se replicou por vários outros canais oficiais da Disney.

Quer que desenhe?

Quem acha que a MARVEL está com um discurso ameno e politicamente correto diante dessa postura de policiais e outros membros de forças armadas, certamente não sabe que a empresa já subiu o tom quanto a isso.

No melhor estilo “quer que eu desenhe?” a empresa publicou nos quadrinhos do Justiceiro em 2019 uma situação criada provavelmente para se posicionar de vez sobre o que a MARVEL acha dessa associação.

No quadrinhos de The Punisher # 13, o Frank Castle, o Justiceiro, é abordado por dois policiais de Nova York. Em um dado momento, o policiais percebem que se trata do Justiceiro, e empolgados, solicitam selfies com o vigilante, que se percebe confuso diante do gesto.

Os policiais explicam que são seus admiradores e que tem inclusive um adesivo da caveira em sua viatura, elemento que serve para indicar que eles fazem parte de uma força paralela dentro da corporação. A resposta de Frank é direta. Ele recusa a selfie, vai até a viatura, arranca o adesivo e manda eles seguirem o Capitão América, não ele. Ele não tem nada a ver com a polícia. Confira abaixo:

Eu vou dizer isso uma vez. Nós não somos iguais. Você jurou defender a lei. Você ajuda as pessoas. Eu desisti de tudo isso há muito tempo. Você não faz o que eu faço. Ninguém sabe. Vocês meninos precisam de um modelo? O nome dele é Capitão América e ele ficaria feliz com isso.” dizem os balões da página, cuja edição vendeu modestos 22 mil exemplares. Mais direto, impossível.

O que a Polícia diz

Indagados pela imprensa, um porta-voz da Polícia de Detroit deu a seguinte declaração ao io9: “Qualquer expressão desse personagem fictício de forma alguma reflete os valores do Departamento de Polícia de Detroit, nem seu uso será tolerado. Levamos esse assunto muito a sério e estamos tomando medidas imediatas para resolvê-lo.

O que a MARVEL/DISNEY fizeram para ajudar no caso Floyd

Para além da indignação pelo uso indevido de uma imagem da empresa, os proprietários da Marvel Comics, a Walt Disney Company, estariam fazendo uma doação de US $ 5 milhões para “apoiar organizações sem fins lucrativos que promovam a justiça social”, começando com uma US $ 2 milhões desse fundo destinados à NAACP.

O caso George Floyd

No dia 25 de maio de 2020 na cidade de Minneapolis-EUA, George Floyd (46), havia sido detido sob a acusação de usar uma nota falsa para comprar cigarros. Abordado pelos policiais, George foi levado ao chão e teve o pescoço pressionado pelo joelho de Derek Chauvin (44), por cerca de 8 minutos e 46 segundos, vindo a óbito na sequência.

Boa parte da ação foi filmada por pessoas que passavam no local, que registraram a fala de Floyd, dizendo que não poderia respirar. A frase “I can’t Breathe” (eu não consigo respirar) virou um grito de protesto que acompanha as manifestações que se espalham pelo mundo desde então.

Derek Chauvin, o policial que matou George Floyd em fotos de fichamento de presos. Imagens: MNDOC / REUTERS

Inicialmente apenas demitidos, a repercussão do caso fez com que Derek Chauvin e os outros policiais envolvidos fossem presos. Existe a possibilidade de saírem sob fiança, que foi fixada em 1 milhão de dólares para cada acusado. Ninguém pagou a fiança até o momento, a esposa de Derek já anunciou que irá se divorciar do marido independentemente do resultado da sentença, que pode chegar até 40 anos de prisão para os envolvidos.

Ex-policiais Chauvin, Thao, Lane e Kueng estão presos em Minneapolis
Imagens: Departamento de Polícia de Minneapolis

No brasil, o caso Floyd também gerou manifestações em algumas cidades. Contudo, muitas pessoas ainda se perguntam se a postura dos brasileiros seria a mesma se Floyd fosse brasileiro e tivesse morrido aqui, como tantas outras vidas negras morrem. Veja esse assunto aqui.

Confira abaixo outras atitudes da indústria gamer diante do caso George Floyd

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