Acelerando seu Estúdio de Jogos

Se você quer lançar seu jogo, fazer de seu estúdio um sucesso, esteja pronto para encarar este desafio.

Rapid game
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No meu artigo anterior, eu fiz um desabafo sobre a falta de visão de negócios em games. Agora chega o momento de mostrar um dos caminhos para que você desenvolvedor possa transformar seu estúdio de jogos em um negócio sustentável e escalável.

Eu penso que ao ler este novo artigo, você já tenha se convencido que seu jogo e seu estúdio são negócios em games, não simplesmente fazer um jogo. A paixão pelo que você faz continua muito forte, mas já foi cultivado um pragmatismo em suas decisões. Por isso o que eu vou escrever aqui são para os futuros empresários da indústria de games.

Vamos falar de algumas coisas bem interessantes que servirão de ponto de partida para esta nova jornada. Não significa dizer que esta é a fórmula para o sucesso, mas é um caminho que poderá levar a este objetivo tão almejado. Fique ligado em que vamos abordar aqui.

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E parafraseando Galileu da Galileia:  “Vamos cair de cabeça nisso”.

Startup: afinal o que é isso?

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Buscando diretamente a definição do Sebrae:

Startup é uma ideia de empresa ou uma empresa nascente voltado à tecnologia e inovação que tenha como objetivo desenvolver e aprimorar um modelo de negócio. As startups tem capacidade de desenvolver produto ou serviço inovador.  Para que obtenha crescimento potencial é indispensável elaborar ações de planejamento, gestão e execução do negócio.

Se você está pensando que Startup é um lugar onde todo mundo trabalha de bermuda/chinela, tem cerveja de graça, mesa de ping-pong e dinheiro entrando fácil de investidores, ACORDE. Se te passaram esta visão, minhas profundas condolências.

Uma Startup pode começar no seu quarto de casa, juntamente com um amigo, tendo uma ideia para solucionar algum problema existente (substitua a palavra problema por dor, é a mesma coisa) e que você acredita poder fazer isso, desde que alguém coloque dinheiro em seu projeto.

A história começa aí e prepare-se para uma jornada, da qual provavelmente você morrerá no caminho por vários motivos. Por exemplo: eu participei de uma Startup, que ganhou um prêmio num programa de incubação, mas morreu devido a pandemia, pois seu modelo de negócios dependia do presencial.

Quando falamos de jogo o buraco é muito, mas muito mais embaixo, pois este tipo de produto tem uma vida muito curta e o risco de investimento é muito alto. Isso se dá ao tempo de desenvolvimento extenso de um título e sua possível aceitação (ou não) no mercado.

Os investidores na sua grande maioria não entendem o “negócio de jogo” e os estúdios não entendem o “jogo como negócio”, logo um enorme abismo é criado entre os dois e assim não acontecem grandes investimentos neste segmento.

O investidor sempre vai procurar algo que ele possa ter um retorno certo de seu dinheiro com lucro, não colocará um mísero centavo em uma bela ideia, ou num título que vai revolucionar o mercado de games. Ele vai colocar a grana em um produto alicerçado por um plano de negócios sólido, que possa ser escalado e que gere receita.

As Startups são sempre enxergadas como possíveis empresas de tecnologia, que podem trazer uma solução revolucionária e que pode gerar retorno financeiro para estes caras. Eles estão sempre de olho procurando enxergar oportunidades diversas.

Não tem moleza, não tem glamour, não tem coach de inovação (ARRGGHHH eu detesto isso!), não é ambiente de gente descolada, falando termos em inglês no meio da frase. É trabalho duro, sacrifício, desapego, cansaço, quebras e acima de tudo, foco na sua ideia e na criação de uma estratégia de negócio sólida e rentável.

Pô Tony, você falou um monte de coisa aí de startupês, mas e como eu vendo meu jogo?

Pois é, se você não entendeu meu startupês, tá na hora de você começar a ter uma visão mais ampla do seu negócio de games. É hora de pensar em entrar em um programa de incubação e aceleração.

Incubadora x Aceleradora

Colegas Brainstorming De Um Projeto Empresarial Em Uma Reunião

O que é uma incubadora de startups? e uma aceleradora?

Ambas são organizações criadas para auxiliar empreendedores no nascimento de seu negócio, focando na estruturação do mesmo. O objetivo destas organizações são empresas inovadoras e com potencial de crescimento alto, focados principalmente no setor de tecnologia.

A diferença entre estas duas organizações se baseia no modelo de negócio. As incubadoras normalmente não tem fins lucrativos e são mantidas por instituições públicas ou entidades sem fins lucrativos. Normalmente a incubadora oferece infraestrutura e espaço físico, podendo em alguns casos fornecer a formação empreendedora.

Já a aceleradora é privada, com fins lucrativos e é mantida por um grupo de investidores/empresas que esperam ganhar dinheiro com o retorno da venda das ações da empresa acelerada, ou participação na mesma. Uma startup acelerada com sucesso atinge o mercado em algum tempo.

Normalmente as aceleradoras proporcionam formação gerencial, suporte de gestão (contábil, jurídico, etc), com mentorias e orientações de profissionais de mercado muito qualificados e fomento de capital a a startups de destaque.

Podem existir nos dois casos, modelos híbridos com programas de incubação e aceleração, públicos e privados, ou seja o ciclo para uma startup pode ser completo e assim chegar ao mercado. Um bom exemplo é o programa da Startup Rio, no Rio de Janeiro.

Trata-se de um programa de incubação e aceleração público, mantido pelo governo do Estado do Rio de Janeiro e que tem um grande destaque para estúdios de games. O programa deve abrir em 2022 um novo edital para startups e seu estúdio de jogos pode estar por lá! Fica de olho!

Obviamente se você utilizar o Google e digitar “programas de aceleração/incubação de startups”, vai receber uma enxurrada de resultados e poderá estudar cada um deles e se candidatar. Isso significa que você poderá colocar seu estúdio de jogos num programa destes e atestar a viabilidade de seu projeto.

A importância em estar envolvido num programa de incubação/aceleração, mesmo que a sua ideia não receba um centavo de investimento é : CONHECIMENTO. A quantidade de informações que você irá receber, bem como montar uma rede de contatos forte, poderá ser a base para um projeto futuro bem sucedido.

É interessante para o dev ter contato com uma realidade do mundo dos negócios, para ele entender como é que funciona a dinâmica de conversas com investidores, conhecer o mercado e descobrir pessoas valiosas para te ajudar. Esta parte para mim é a mais interessante nestas situações.

Você pode descobrir uma pessoa que goste de sua proposta e que resolva entrar no seu time para te ajudar nesta parte que pode ser “chata” para você, mas essencial para que as coisas funcionem. Isto é muito importante, pois assim com este conhecimento de causa, há possibilidade de investirem em seu projeto.

Por isso o quanto antes procure se envolver nisso.

Palavras Finais

Novamente eu vou falar da importância da visão de negócios no mundo de desenvolvimento de jogos. Hoje os mercados originados da indústria de games, geram muito dinheiro e há carência de boa ideias e profissionais. Entender como isto funciona é essencial.

Quando entramos num programa de Startups temos que ter em nossa cabeça que não é certo que na primeira vez seu projeto vai ser um sucesso, mesmo que ele seja premiado (veja meu caso na pandemia). Por isso esteja pronto para tudo.

A importância para um desenvolvedor de jogos participar disso é simplesmente abrir os horizontes e acabar com o romantismo de fazer jogo. A experiência, os contatos, as vivências são preciosas demais, e como eu disse anteriormente: ganho de CONHECIMENTO.

Num programa destes você terá contato com mentores, profissionais, investidores, todos prontos para te ensinar alguma coisa, colaborar com as suas ideias e ajudar em seu projeto. É importante estar preparado para ouvir coisas boas e muitas ruins, mas é para seu crescimento.

Se você quer lançar seu jogo, fazer de seu estúdio um sucesso, esteja pronto para encarar este desafio.

Até nosso próximo artigo!

Tony Garcia é Game Designer, Educador, Gamification Designer, Especialista em Manufatura Aditiva e em Tecnologias Educacionais.
Tem mais de 80 jogos desenvolvidos e trabalhou com mentoria em mais de 30 startups de jogos. Atuou em projetos de jogos educacionais e gamificação. Atualmente é diretor de projetos da Riogamer, Associação de Games e E-Sports do Rio de Janeiro.

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